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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Gás natural ou GLP?


Na prática é tudo igual, mas o primeiro garante mais segurança.

Segurança. Este é o ponto de convergência entre especialistas quando o assunto é o melhor combustível para o uso doméstico. O tema, apesar de não ser nova, volta à tona após a divulgação de expansão da malha de fornecimento de gás natural, divulgada pela Comgás na primeira semana deste ano.

Em pauta há alguns anos, quando a empresa assegurou a concessão do fornecimento de gás natural para as cidades da Baixada Santista, há pouco mais de quatro anos, o assunto ainda gera dúvidas entre munícipes e proprietários de casas de veraneio.

Apesar de o termo já ser comum, o que se percebe é que as diferenças entre o gás natural e o Gás Liquefeito de Petróleo, conhecido como GLP - e o mais utilizado nas cidades da região -, ainda são desconhecidas por grande parcela dos consumidores. Um maior conhecimento sobre o assunto poderia beneficiar os munícipes, pela concorrência do mercado.

Com origens c sistemas de produção e de distribuição distintos, o gás natural e o GLP divergem em suas características técnicas: "Enquanto o primeiro é formado predominantemente por metano (CH4), o GLP é uma mistura de propano (C3H8) e butano (C4H10)”, esclarece o professor doutor Aldo Ramos Santos, coordenador do curso de Pós-Graduação cm Engenharia de Petróleo e Gás Natural da Universidade Santa Cecília (Unisanta).

Balanço
5,8 mil  novos apartamentos receberam gás encanado em 2011 na região, de acordo com a Companhia de Gás de São Paulo (Comgás).

Ele explica que do ponto de vista do uso doméstico do gás natural, não há diferenças práticas quanto ao uso desses gases, pois equipamentos como fogão e aquecedores queimam normalmente ambos os combustíveis.

E a questão da segurança, de fato, um dos fatores mais polêmicos entre especialistas, que apontam o gás natural como o "mais conveniente por ser um composto mais leve que o ar". Segundo o professor, "dissipa-se com maior facilidade e em menor tempo, em caso de eventual vazamento”.

Além disso, toda a rede instalada em condomínios possibilita a interrupção do gás cm diversos pontos, desde a saída da rua para dentro do prédio, até o abrigo de regulação de pressão, passando pelo prumador, até chegar ao apartamento. "Somente no apartamento, o consumidor terá de duas a três válvulas para interromper a passagem do gás", aponta o gerente de Planejamento da Sena Ecal, Gustavo Fortes.

Ele diz que o perigo do GLP é que, por ser mais denso que o ar, tende a ficar acumulado embaixo de eletrodomésticos e em ralos. "Por isso, o risco de explosão em grande escala, em caso de faísca, é muito maior".

OPÇÃO

Foi exatamente a questão da segurança que levou o síndico, Minoru Yaeda, 70 anos, a convocar uma assembléia no prédio onde mora, em São Vicente, para propor a conversão para o sistema de gás natural.

Ele disse que apesar de polemico, o projeto ressaltou que os botijões dentro dos apartamentos representavam um perigo. O imóvel fica na Praia do Gonzaguinha e conta com 75 apartamentos, sendo que apenas 21 famílias moram no local. Todos os outros funcionam como casa de veraneio e, em muitos casos, os proprietários não visitam o imóvel nem mesmo uma vez por ano.

Os moradores arcarão com apenas 25% do valor de instalação do novo sistema. "Pagaremos em 36 vezes. Cada condômino arcará R$ 8,86 mensais", informou Yaeda.

Mais do que a economia, a justificativa da segurança foi apontada pelo supervisor de obras, Carlos Eduardo Ramalho, como quesito prioritário. "Ter um botijão de 13 quilos sem a devida manutenção ou mesmo monitoramento é como ter uma bomba relógio em casa", considera ele, lembrando que a explosão do Shopping Continental em Osasco, na Grande São Paulo, há alguns anos, foi pela explosão de 6,2 quilos de GLP.

Gás Natural e GLP

Benefícios e desvantagens

Produto
Gás Natural
GLP
Características
É mais leve que o ar, em caso de vazamento, dissipa-se rápido; não precisa ser armazenado em botijões, cilindros ou centrais de abastecimento.
Comercializado em estado líquido, torna-se gasoso à pressão atmosférica; é caracterizado por sua aplicabilidade como combustível.
Aplicações
Fogão, aquecimento de água, aquecimento de ambientes, sauna, secadora de roupas, piso, em carros, indústrias.
Nas residências, no comércio, na agricultura e transporte. Cocção, aquecimento, iluminação e refrigeração.
Meio Ambiente
O gás natural emite muito menos poluentes do que os demais combustíveis fósseis. A emissão de poluentes é reduzida porque sua queima é mais completa.
Energia limpa substitui a lenha e o querosene. Além de poupar árvores, sua queima não produz resíduos tóxicos.
Produção
É resultado das transformações de fósseis de animais e plantas, sendo fonte e energia totalmente natural. É distribuído através de tubulações.
É obtido de duas formas: a primeira decorre do refino do petróleo. Por ser o mais leve dos derivados do petróleo, é o último produto resultante da cadeia de extração. Antes são produzidos os combustíveis, gasolina, diesel.
Custo
O consumo é contabilizado individualmente, controlado por um relógio. O preço por m³, consumido é R$ 3,109830 por m³, na classe de 7,01 a 14,00 m³, mais fixo de R$ 6,83.
Hoje, o preço do botijão de gás em Santos é de R$44,50; é preciso levar em conta que é necessário ter disponível o cilindro de gás, que deverá ser adquirido por alguém que não tenha.

Os dados contidos nesta tabela foram coletados nos sites da Companhia de Gás de São Paulo, a Comgás (www.comgas.com.br) e da Ultragaz (www.ultragaz.com.br).

Economia esbarra no poder calorífico

É impossível abordar a questão da economia sem relacioná-la a uma característica fundamental dos dois tipos de combustíveis: o poder calorífico. Com maior quantidade desse item, o GLP desmanda menor volume de gás para atingir uma mesma temperatura, se comparado com o gás natural.

De acordo com o professor do curso de Tecnologia de Gás e Petróleo da UniSantos, Maurício Barbieri, a diferença de poder calorífico é de 27% entre os dois combustíveis, percentual semelhante aos preços praticados pelas companhias e distribuidoras de gás natural e GLP.

“Contudo, há questões não quantificáveis envolvidas, como a praticidade e a facilidade. É preciso colocar todos os itens no papel para avaliar qual a melhor opção para a família. A escolha é muito individual”, ressalta o professor.

O próprio gerente de vendas da Comgás, Wagner Longo, concorda com a avaliação, ressaltando que há itens que não podem ser quantificados. Um dos exemplos é o uso do gás natural para chuveiros. “Como gera um conforto maior, os usuários acabam tomando um banho mais longo”.

Mudança

Para quem decidir pela mudança de sistema, no entanto, o presidente do Sindicato dos Condomínios Prediais do Litoral de São Paulo (Sicon), Rubens Moscatelli, faz um alerta: “o novo sistema deve ser aprovado por todos os condôminos e não apenas pela maioria, como muitas vezes é orientado”. Ele explicou que o Sicon não recebeu quaisquer reclamações sobre a questão desde que o gás natural começou a ser oferecido na cidade. Contudo, Moscatelli ressaltou a importância de consultar um advogado para analisar a questão e garantir que nada seja implementado pelo setor sem que esteja dentro da lei.

O Lado GLP

Uma das principais empresa fornecedora de gás GLP nas cidades da Baixada Santista, a Ultragaz, foi procurada para saber o que a companhia tem feito para implementar seus serviços e responder  questionamentos importantes sobre a segurança. Contudo, apesar dos recados deixados na empresa por diversos dias consecutivos, não houve retorno.

Previsão

31 mil
Clientes é o número previsto pela Comgás de residências que devem contratar o recebimento de gás natural até o fim deste ano.



FONTE: A Tribuna (Santos - SP)


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