Zevi Kann, fundador da consultoria Zenergas, defende leilões regionalizados de UTEs, de forma a compatibilizar a oferta de gás com a demanda por geração desse tipo de usina.
O modelo de planejamento da oferta de energia elétrica no Brasil terá de ser aperfeiçoado e integrado ao planejamento para a construção de novos gasodutos, cuja licitação está prevista na chamada Lei do Gás. A opinião é do consultor e ex-diretor da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), Zevi Kann, ao destacar o papel das usinas termelétricas como grande demandantes do insumo no mercado de gás natural. "No futuro, as térmicas vão representar um terço do consumo de gás", prevê o consultor.
Criador da empresa Zenergas - consultoria que começará a atuar no mercado em janeiro - Zevi Kann lembra que o planejamento da Empresa de Pesquisa Energética praticamente congelou as UTEs a gás até 2015. Ele acredita que regionalizar os leilões de termelétricas seria um grande passo para a integração com o setor de gás e uma boa indicação de onde poderiam ser construídos os gasodutos. Com uma demanda flutuante, analisa, esse tipo de empreendimento poderia ter como versão ideal do combustível o Gas Natual Liquefeito.
Com parte da Lei do Gás já regulamentada, caberá à EPE e ao Ministério de Minas e Energia traçar o plano de expansão da malha de dutos em 2012, com a definição dos empreendimentos estratégicos para licitação. Esse planejamento poderá incluir na lista projetos de construção de dutos apresentados por empreendedores privados. O grande problema hoje é que as outorgas de usinas termelétricas são independentes, sem vinculo, e sem critério de regionalização. "Empreendimentos feitos assim, de forma estanque, não funcionam. Não se pode licitar gasoduto se não se tem certeza que vai ter térmica, e o planejamento tem que ser regional" , opina Kann.
Zevi Kann lembra que enquanto existia o monopólio e a Petrobras era a única autorizada a construir gasodutos, a situação era menos grave. Daqui para a frente, segundo ele, a situação tende a ficar mais complicada, com perspectiva de entrada de investidores privados no mercado de gás, o que vai exigir coordenação do planejamento. O empresário prevê que além do consumo industrial e da produção de energia elétrica, outra importante demanda por gás natural virá do setor de fertilizantes, que tem recebido volume significativo de investimentos por parte da Petrobras.
Fonte: Gás Brasil
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